domingo, 27 de março de 2011

A.F

“Você pode matar todos os fiéis, mas algo que há dentro deles jamais morre, é imortal: sua fé.”
Essa frase sempre teve um forte efeito sobre mim. A fé realmente é imortal, sem ela, há 30 anos eu não seria nada... Ainda bem que eu me conheço bem, e tenha todos os motivos para acreditar no eu que existiu há 30 anos. É uma pena nossos ideais mudarem em tanto tempo.
Nomes não são meu forte, eu costumava guardá-los, mas agora me limito a gravar iniciais, ou inventar iniciais, a minha assinatura, o meu nome nessa empresa é composto de apenas duas letras, uma vogal: A e um ponto separando-a da consoante F, isso mesmo, A.F.
Fiz algumas descobertas incríveis, e tinha tudo em minhas mãos, incluindo os recursos e minha vontade. Queria resgatar algo que tinha de certa forma perdido, mesmo que jamais tenha me pertencido há muito tempo atrás.
Na tarde de 27 de fevereiro de 2011, consegui terminar o meu protótipo secreto da maquina de viagem no tempo. Secreto porque  Heaven’s ansiava muito por esse meu projeto, mas não autorizava que fosse utilizado ou testado com seres humanos. Há 10 anos venho trabalhado nele, minha inspiração veio num dia de catástrofes, onde milhões de vidas foram ceifadas em pleno setembro de 2001.Eu sei que muitos executivos da Heaven’s vem ao meu escritório para surrupiar alguns de meus planos e projetos, mas tento manter tudo em segredo,principalmente o mapa para a primeira peça do meu projeto, que esta numa maleta de alumínio com o logotipo da empresa.
Apressei-me em escrever uma carta e deixar algumas informações bem claras e evidentes para alguém que conheci há muitos anos atrás.
Então rapidamente, coloquei meu assistente, Gustav, na máquina junto com a maleta e a carta. Ativei os propulsores e os aceleradores de partículas, a minha sala se encheu de um clarão, para a minha sorte e tamanha inteligência, pois já havia lido sobre viagens no tempo, isolei a região da máquina com um acrílico especial e adamantium. E fiquei parado, esperando que aquilo desse certo. O clarão começou a engolir minha sala, o calor podia ser sentido de dentro do pequeno invólucro que criei. Dentro de instantes, um barulho, similar a um grito foi-se ouvido: Gustav e tudo que eu havia lhe dado haviam desaparecido... Foi um sucesso. Meu laboratório ficou envolto de uma fumaça branca e tudo aquilo se mostrava maravilhoso.
Naquela mesma tarde, eu recebi alguns relatórios, sempre achei estranho a forma da assinatura do diretor da Heaven’s, principalmente sobre as laudas de experimentos para eu aperfeiçoar. Dentre toda a papelada, eu descobri um documento que me abriu os olhos: eu não estava sozinho fazendo aquele protótipo, alguém mais estava lá, me espionando. O documento dizia em como poderia aperfeiçoar a viagem no tempo, mostrando os danos causados pela difusão dos átomos, com imagens realmente grotescas, de pessoas deformadas e algumas de forma inexplicável, grudadas uma na outra e um laudo psicológico, de pessoas que voltaram do passado sem dano algum, mas com personalidades totalmente mudadas, havia um curioso caso de um assassino que teve a oportunidade de fazer parte do convenio que fizemos para esvaziar Alcatraz, pois teríamos certeza deque ele morreria, pois os exames detectaram uma imunidade muito baixa para ele, vivia adoecendo, no entanto, sua falta de saúde não o impossibilitou de matar 2 senhoras que moravam na rua de sua casa, cortá-las aos pedaços, e dar para as crianças que batiam à sua porta no natal. Pensamos que ele seria uma vitima fácil de deformidades ou até mesmo que um câncer externo o dominasse, no entanto, o homem voltou em perfeitas condições, porem muito dócil e até mesmo arrependido de suas ações no passado, incorrendo em seu desesperador suicídio.
Daquele momento em diante, tive certeza de que realmente eu havia sido investigado pela mesa diretora da empresa. Eu já sabia como apenas enviar as pessoas para o passado, no entanto, a corporação já sabia como enviar e trazer de volta as pessoas, eles precisavam aperfeiçoar a sua técnica em trazê-las da mesma forma que elas partiam, em sentido físico e mental.
Fiquei assustado com tudo aquilo que me cercava, eles já sabiam viajar no tempo, eu havia sido enganado e minha fé havia caído por terra. Peguei as minhas coisas e saí do meu laboratório, peguei o corredor central e me deparei com uma mocinha, bela, porém com um ar de seriedade que não combinava em nada com o semblante delicado dela. Ela parecia estar certa de que encontraria algo na sala no final do corredor, mas por um segundo que eu passava pelas portas automáticas e pisava no capacho da Heaven’s me dei conta de que ela não estava indo para o final do corredor, pois o cartão de credencial que ela carregava, possuía o numero do meu escritório. Então caí em mim: realmente por ANOS eu havia sido investigando.

domingo, 13 de março de 2011

LIGAÇÕES

Naquela tardinha, eu passei de dia tranqüilo para dia tenso. Aquelas palavras não queriam sair do meu cérebro. Acho que a pior parte de tudo era não saber quem estava me escrevendo. Li e reli aquilo pelo menos umas três vezes para ter certeza do que estava lendo, o mesmo jornal fresco que eu tinha sobre a minha mesa, estava naquele envelope, mas envelhecido, cheio de marcas devido o tempo. A carta possuía um aspecto um tanto que sombrio e misterioso, e o que mais me encheu de medo, foi o fato de não reconhecer aquele que me chamava pelo nome.
Rapidamente, eu peguei meu casaco e desci correndo para o lugar do acidente, era terrível o cenário, apesar de ter ocorrido o acidente há um dia, ainda podia sentir o calor do fogo na lataria do trem e a grama queimada, aquele cheiro estranho no ar, não me importei muito com as vítimas, talvez se eu tivesse me importado um pouco com elas, e me interado um pouco mais das coisas fossem um tanto que diferentes. A policia estava lá analisando as causas do acidente, e logo te adianto que o jornal estava errado, porque enquanto eu estava lá, os homens da prefeitura levantaram um dos vagões e encontraram mais um corpo... Não sou uma pessoa muito sensível a tragédias, mas ver aquele corpo me assustou, a expressão de terror daquele corpo pequeno todo carbonizado. Mas voltei a minha atenção para um objeto aproximadamente á uns dois metros da ponte.
Eu nunca tinha visto algo parecido, era parecido com uma mala, mas ela era toda prateada, em alumínio, com alguns números parecendo formar uma combinação para que ela fosse aberta. Olhei para os lados, e peguei a mala. Ah, no topo dela tinha um logotipo, parecia-se com uma montanha com uma arvore no meio e na sua sombra tinha uma trinca, e uma palavra da qual eu ainda não estava conseguindo identificar. Coloquei o objeto no meu sobretudo, estava meio pesado. Os policiais me olharam meio desconfiados de mim, então saí rapidamente, para o meu loft.
Abri a porta correndo, subir até a cobertura pelas escadas é um tanto que cansativo, mas finalmente cheguei. Abri a porta, e coloquei o objeto metálico na minha bancada. Fiquei ali analisando aquilo, o conteúdo da carta e o jornal, procurando ligação entre os fatos e nada fazia muito sentido. Passei a noite em claro, esperando que alguma luz viesse e me desse alguma inspiração.
O dia seguinte era um domingo... Não havia serviço dos correios no domingo. Fiquei muito frustrado logo pela manhã, tomando café e vendo aquela maleta. Fui até o parque, respirar o ar fresco, mas o ar estava carregado de duvidas, e aquela maleta misteriosa não saia da minha mente. Então, decidi voltar para casa, pelo caminho, via as pessoas andando em direções opostas, preocupadas demais com suas vidas, mas o acidente com o trem e tudo aquilo que me aconteceu me dominava.  Tentava fazer todas as equações possíveis para tentar desvendar qual a ligação da maleta com o acidente e as vitimas, mas nada me fazia sentido. Dobrei a esquina do loft, e fui lentamente me dirigindo a ele, com o meu olhar vago e distante. Não fosse essa minha distração, eu teria notado que a porta estava com as trancas arrebentadas, e talvez me desse conta de que minha casa havia sido invadida.
Subi as escadas, lentamente, não fazendo nenhum barulho, não porque eu não queria, mas simplesmente porque eu estava pensando naquilo tudo, e fui me dirigindo até a minha bancada. Então fui surpreendido: um homem de média estatura, cabelos castanho claros, com a barba por fazer, usando uma jaqueta de camurça e uma calça marrom. Quem era ele? Eis a duvida, então fui recuando sem dar as costas ao cidadão que já estava de costas esbarrei na mesa onde costumava colocar o jornal, e então, me dei conta: o símbolo que estampava a campa do jornal com aquela proposta tentadora era o mesmo símbolo em marca da água na carta que coincidentemente era o mesmo que estava em auto-relevo na maleta. O homem se assustou, tentei ver o seu rosto, mas não consegui enxergar, pois as cortinas estavam abertas e o sol da tarde penetrando pelo vidro praticamente me cegava, então, em u movimento furtivo, a figura q estava na minha frente, pulou contra o vidro e deixando para trás um rastro de sangue. Não tive muito tempo para correr atrás da pessoa, nem mesmo de notar o dano que me fora causado, mas me assegurei de que a maleta ainda estava em cima da bancada e intacta.
Naquele momento de desespero, eu me desliguei, era como se tudo aquilo estivesse interligado, mas fora do seu tempo: eram coisas que pareciam vindas de outras eras, pessoas diferentes das quais jamais me lembraria, coisas que até então tinha em minhas mãos como novidade drasticamente envelhecidas, era tudo anacrônico. A carta era de exatamente 30 anos à frente da época em que eu vivo, aquele jornal já fora publicado na data em que a carta foi escrita, naquele momento, eu tinha mais do que toda a certeza de que algo muito estranho estava acontecendo... E tinha a sensação de que a maleta era a chave para destrancar a porta das minhas duvidas:
Quem é A.F?
O que tem dentro da maleta?
Qual é a ligação disso tudo com a Heavens?
E o principal: O que EU tenho que ver com isso tudo?

segunda-feira, 7 de março de 2011

Detalhes da carta...

Conforme lido na semana anterior, recebi meu jornal, com uma carta, eis o jornal e carta...

A carta:




Anexo à carta: