“Você pode matar todos os fiéis, mas algo que há dentro deles jamais morre, é imortal: sua fé.”
Essa frase sempre teve um forte efeito sobre mim. A fé realmente é imortal, sem ela, há 30 anos eu não seria nada... Ainda bem que eu me conheço bem, e tenha todos os motivos para acreditar no eu que existiu há 30 anos. É uma pena nossos ideais mudarem em tanto tempo.
Nomes não são meu forte, eu costumava guardá-los, mas agora me limito a gravar iniciais, ou inventar iniciais, a minha assinatura, o meu nome nessa empresa é composto de apenas duas letras, uma vogal: A e um ponto separando-a da consoante F, isso mesmo, A.F.
Fiz algumas descobertas incríveis, e tinha tudo em minhas mãos, incluindo os recursos e minha vontade. Queria resgatar algo que tinha de certa forma perdido, mesmo que jamais tenha me pertencido há muito tempo atrás.
Na tarde de 27 de fevereiro de 2011, consegui terminar o meu protótipo secreto da maquina de viagem no tempo. Secreto porque Heaven’s ansiava muito por esse meu projeto, mas não autorizava que fosse utilizado ou testado com seres humanos. Há 10 anos venho trabalhado nele, minha inspiração veio num dia de catástrofes, onde milhões de vidas foram ceifadas em pleno setembro de 2001.Eu sei que muitos executivos da Heaven’s vem ao meu escritório para surrupiar alguns de meus planos e projetos, mas tento manter tudo em segredo,principalmente o mapa para a primeira peça do meu projeto, que esta numa maleta de alumínio com o logotipo da empresa.
Apressei-me em escrever uma carta e deixar algumas informações bem claras e evidentes para alguém que conheci há muitos anos atrás.
Então rapidamente, coloquei meu assistente, Gustav, na máquina junto com a maleta e a carta. Ativei os propulsores e os aceleradores de partículas, a minha sala se encheu de um clarão, para a minha sorte e tamanha inteligência, pois já havia lido sobre viagens no tempo, isolei a região da máquina com um acrílico especial e adamantium. E fiquei parado, esperando que aquilo desse certo. O clarão começou a engolir minha sala, o calor podia ser sentido de dentro do pequeno invólucro que criei. Dentro de instantes, um barulho, similar a um grito foi-se ouvido: Gustav e tudo que eu havia lhe dado haviam desaparecido... Foi um sucesso. Meu laboratório ficou envolto de uma fumaça branca e tudo aquilo se mostrava maravilhoso.
Naquela mesma tarde, eu recebi alguns relatórios, sempre achei estranho a forma da assinatura do diretor da Heaven’s, principalmente sobre as laudas de experimentos para eu aperfeiçoar. Dentre toda a papelada, eu descobri um documento que me abriu os olhos: eu não estava sozinho fazendo aquele protótipo, alguém mais estava lá, me espionando. O documento dizia em como poderia aperfeiçoar a viagem no tempo, mostrando os danos causados pela difusão dos átomos, com imagens realmente grotescas, de pessoas deformadas e algumas de forma inexplicável, grudadas uma na outra e um laudo psicológico, de pessoas que voltaram do passado sem dano algum, mas com personalidades totalmente mudadas, havia um curioso caso de um assassino que teve a oportunidade de fazer parte do convenio que fizemos para esvaziar Alcatraz, pois teríamos certeza deque ele morreria, pois os exames detectaram uma imunidade muito baixa para ele, vivia adoecendo, no entanto, sua falta de saúde não o impossibilitou de matar 2 senhoras que moravam na rua de sua casa, cortá-las aos pedaços, e dar para as crianças que batiam à sua porta no natal. Pensamos que ele seria uma vitima fácil de deformidades ou até mesmo que um câncer externo o dominasse, no entanto, o homem voltou em perfeitas condições, porem muito dócil e até mesmo arrependido de suas ações no passado, incorrendo em seu desesperador suicídio.
Daquele momento em diante, tive certeza de que realmente eu havia sido investigado pela mesa diretora da empresa. Eu já sabia como apenas enviar as pessoas para o passado, no entanto, a corporação já sabia como enviar e trazer de volta as pessoas, eles precisavam aperfeiçoar a sua técnica em trazê-las da mesma forma que elas partiam, em sentido físico e mental.
Fiquei assustado com tudo aquilo que me cercava, eles já sabiam viajar no tempo, eu havia sido enganado e minha fé havia caído por terra. Peguei as minhas coisas e saí do meu laboratório, peguei o corredor central e me deparei com uma mocinha, bela, porém com um ar de seriedade que não combinava em nada com o semblante delicado dela. Ela parecia estar certa de que encontraria algo na sala no final do corredor, mas por um segundo que eu passava pelas portas automáticas e pisava no capacho da Heaven’s me dei conta de que ela não estava indo para o final do corredor, pois o cartão de credencial que ela carregava, possuía o numero do meu escritório. Então caí em mim: realmente por ANOS eu havia sido investigando.


