domingo, 13 de março de 2011

LIGAÇÕES

Naquela tardinha, eu passei de dia tranqüilo para dia tenso. Aquelas palavras não queriam sair do meu cérebro. Acho que a pior parte de tudo era não saber quem estava me escrevendo. Li e reli aquilo pelo menos umas três vezes para ter certeza do que estava lendo, o mesmo jornal fresco que eu tinha sobre a minha mesa, estava naquele envelope, mas envelhecido, cheio de marcas devido o tempo. A carta possuía um aspecto um tanto que sombrio e misterioso, e o que mais me encheu de medo, foi o fato de não reconhecer aquele que me chamava pelo nome.
Rapidamente, eu peguei meu casaco e desci correndo para o lugar do acidente, era terrível o cenário, apesar de ter ocorrido o acidente há um dia, ainda podia sentir o calor do fogo na lataria do trem e a grama queimada, aquele cheiro estranho no ar, não me importei muito com as vítimas, talvez se eu tivesse me importado um pouco com elas, e me interado um pouco mais das coisas fossem um tanto que diferentes. A policia estava lá analisando as causas do acidente, e logo te adianto que o jornal estava errado, porque enquanto eu estava lá, os homens da prefeitura levantaram um dos vagões e encontraram mais um corpo... Não sou uma pessoa muito sensível a tragédias, mas ver aquele corpo me assustou, a expressão de terror daquele corpo pequeno todo carbonizado. Mas voltei a minha atenção para um objeto aproximadamente á uns dois metros da ponte.
Eu nunca tinha visto algo parecido, era parecido com uma mala, mas ela era toda prateada, em alumínio, com alguns números parecendo formar uma combinação para que ela fosse aberta. Olhei para os lados, e peguei a mala. Ah, no topo dela tinha um logotipo, parecia-se com uma montanha com uma arvore no meio e na sua sombra tinha uma trinca, e uma palavra da qual eu ainda não estava conseguindo identificar. Coloquei o objeto no meu sobretudo, estava meio pesado. Os policiais me olharam meio desconfiados de mim, então saí rapidamente, para o meu loft.
Abri a porta correndo, subir até a cobertura pelas escadas é um tanto que cansativo, mas finalmente cheguei. Abri a porta, e coloquei o objeto metálico na minha bancada. Fiquei ali analisando aquilo, o conteúdo da carta e o jornal, procurando ligação entre os fatos e nada fazia muito sentido. Passei a noite em claro, esperando que alguma luz viesse e me desse alguma inspiração.
O dia seguinte era um domingo... Não havia serviço dos correios no domingo. Fiquei muito frustrado logo pela manhã, tomando café e vendo aquela maleta. Fui até o parque, respirar o ar fresco, mas o ar estava carregado de duvidas, e aquela maleta misteriosa não saia da minha mente. Então, decidi voltar para casa, pelo caminho, via as pessoas andando em direções opostas, preocupadas demais com suas vidas, mas o acidente com o trem e tudo aquilo que me aconteceu me dominava.  Tentava fazer todas as equações possíveis para tentar desvendar qual a ligação da maleta com o acidente e as vitimas, mas nada me fazia sentido. Dobrei a esquina do loft, e fui lentamente me dirigindo a ele, com o meu olhar vago e distante. Não fosse essa minha distração, eu teria notado que a porta estava com as trancas arrebentadas, e talvez me desse conta de que minha casa havia sido invadida.
Subi as escadas, lentamente, não fazendo nenhum barulho, não porque eu não queria, mas simplesmente porque eu estava pensando naquilo tudo, e fui me dirigindo até a minha bancada. Então fui surpreendido: um homem de média estatura, cabelos castanho claros, com a barba por fazer, usando uma jaqueta de camurça e uma calça marrom. Quem era ele? Eis a duvida, então fui recuando sem dar as costas ao cidadão que já estava de costas esbarrei na mesa onde costumava colocar o jornal, e então, me dei conta: o símbolo que estampava a campa do jornal com aquela proposta tentadora era o mesmo símbolo em marca da água na carta que coincidentemente era o mesmo que estava em auto-relevo na maleta. O homem se assustou, tentei ver o seu rosto, mas não consegui enxergar, pois as cortinas estavam abertas e o sol da tarde penetrando pelo vidro praticamente me cegava, então, em u movimento furtivo, a figura q estava na minha frente, pulou contra o vidro e deixando para trás um rastro de sangue. Não tive muito tempo para correr atrás da pessoa, nem mesmo de notar o dano que me fora causado, mas me assegurei de que a maleta ainda estava em cima da bancada e intacta.
Naquele momento de desespero, eu me desliguei, era como se tudo aquilo estivesse interligado, mas fora do seu tempo: eram coisas que pareciam vindas de outras eras, pessoas diferentes das quais jamais me lembraria, coisas que até então tinha em minhas mãos como novidade drasticamente envelhecidas, era tudo anacrônico. A carta era de exatamente 30 anos à frente da época em que eu vivo, aquele jornal já fora publicado na data em que a carta foi escrita, naquele momento, eu tinha mais do que toda a certeza de que algo muito estranho estava acontecendo... E tinha a sensação de que a maleta era a chave para destrancar a porta das minhas duvidas:
Quem é A.F?
O que tem dentro da maleta?
Qual é a ligação disso tudo com a Heavens?
E o principal: O que EU tenho que ver com isso tudo?

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