Aula de inglês...
Todos olham para a minha cara, parece que eles sabem o que aconteceu, tudo bem que não é todo dia que aparece alguém com um olho roxo na escola ainda todos tem uma vantagem: todos sabem que minha mãe ouve vozes e meu pai é casado com aquela fracassada, logo fico tirando conclusões que todos sabem do que estou sendo submetido.Mas sei que é só coisa da minha cabeça.O professor Fabrício é uma excelente pessoa, fico admirado de ver ele, desde que a Karen... desapareceu, ele meio que se fechou no mundo dele, mesmo assim, a vida dele continuou.
Nessa aula a professora me disse que eu não precisava apresentar o trabalho, mas mesmo assim eu apresentei, afinal, apenas meu olho ta avariado, minhas pernas, braços e minha boca ainda funcionam.
As horas passaram até que rápido. Vou para a porta da escola, e lá o professor me disse:
- Vou com você para casa, preciso falar com seu pai.
Essa frase me assustou e ao mesmo tempo me encheu de esperança. Fomos pelo caminho normal, em silencio... Temo que meu pai pode não acatar bem a visita do professor mas tenho esperança que ele mude.
Não sei o que fazer com relação a ele, ou o que vou falar para o pai dele. Mas esse garoto não pode ficar assim, e finalmente chegamos.
Jansen nem precisou entrar na casa, para que ele fosse recepcionado pelo pai que já mudava sua expressão em me ver. Logo que chegamos perto da cerca da casa dele, seu pai levantou a mão na direção do rosto do garoto e cravou a mão no cabelo dele, prestes para puxá-los.
- O que o garoto aprontou dessa vez? – ele me perguntou em tom acusativo
- Senhor Strauss, o que te pergunto: O que ele aprontou ontem? – perguntei em tom firme
- O senhor sabe que adolescentes precisam de disciplina, então o disciplinei a moda antiga. – ele soltou o cabelo de Jansen e cruzou os braços se reclinando sobre sua coluna – E a forma que eu educo o meu filho não é da sua conta!
- Engano o seu, o senhor não pode tratar esse menino dessa forma, ele é humilhado, o senhor não enxerga isso? - confesso que me exaltei .
-Então o professor traumatizado solteirão vai opinar na forma que eu educo o MEU filho? – nesse momento, olhei para Jansen , e seu pai também.
Por que eles me olham? Será que sou tão mal assim?
Não pedi para o professor vir até aqui, ele veio por que ele quis... Que porcaria que eu fiz?
- Senhor Strauss, quero que o senhor reavalie seu modo de disciplinar... – sugeri pacificamente para ele.
-Já que acha que estou errado... Leve ele para sua casa, professor!
-Seu desejo é uma ordem! – disse com firmeza e certeza – Jansen, faça suas malas, ficarei te esperando, você vem morar comigo no meu loft, tenho um quarto sobrando.
Nunca me esqueci do olhar daquele garoto, foi algo fantástico. Ele entrou na casa como um foguete, seu pai ficou tenso, me olhando com ódio no olhar, mas ele não poderia fazer nada. Em menos de vinte minutos, Jansen já estava do meu lado. Ele parecia tenso, imagino como ele devia estar. Desejei um bom dia para o pai nervoso e partimos.
Passamos na padaria na esquina de meu loft, compramos pães e acomodei Jansen em seu novo quarto, sentamos à mesa olhamos para a mala e eu disse:
- Jansen, vamos começar a estudar essas cartas e esse objeto...
- Professor, vamos sim...
- Jansen, não me chame de professor, por favor, me chame de Fabrício.
-Tudo bem, tenho muita certeza de que iremos nos dar muito bem, e adoraria te ajudar no laboratório.
Embora aquele primeiro momento me enchesse de orgulho, também senti uma espécie de medo e incerteza. Mas aquele menino, Jansen, estava a salvo.

