domingo, 6 de novembro de 2011


Naquela noitinha, como de costume me recostei à bancada e comecei a analisar o objeto que eu tinha na maleta. Era um objeto de metal, todo cheio de espirais, e infelizmente ele parecia estar quebrado, ou pertencer a alguma coisa, tipo fazer parte de um contexto em alguma coisa. E mais embaixo de onde estavam as espirais, havia uma outra carta, eu comecei a ler ela, mas logo peguei no sono, mas já tinha em mente no que fazer no domingo.
Amanhece, é domingo, a noite passou como um sopro leve.
Arrumei minhas coisas rapidamente e se fazer nenhum barulho para acordar Jansen. E saí. Eu sei que ele vai se comportar e que ele vai entender o bilhete que deixei em cima da mesa para ele.
Peguei o primeiro taxi que encontrei na rua, e para minha sorte, foi o mesmo taxista que nos conduziu ontem para o Santa Teresa. Pedi para ele me levar até o local que fomos ontem. Eu já sabia qual quarto ir e o que dizer... Eu até mesmo tinha toda a certeza de que tudo se explicaria ali: o homem que me atacou, as cartas que eu tenho em mãos até o dia solene que é hoje.
Entrei no hospital, e conversei com o enfermeiro chefe das visitas, e menti, alegando ser o filho mais velho dela e que exigia a visita. O enfermeiro concordou, abriu a porta da cela onde ela estava, e eu finalmente tive o acesso que queria ter. Sentei-me numa cadeira que tinha no canto da sala, e fiquei ali, por horas, deixando ela me analisar, até que ela tivesse certeza de que eu não representava nenhuma ameaça para ela. Lentamente ela se aproximou, sentou na minha frente e ficou me observando... por alguns minutos, assim como uma criança que se senta na frente de seu pai na expectativa de que ele lhe leia uma historia. Então pude finalmente ver com meus olhos quem era a Senhora Strauss. Ela tinha olhos bem arredondados, e talvez até mesmo com marcas do sofrimento no manicômio, seus longos cabelos eram castanho claro, e ela possuía um rosto quase que perfeito.          
Naquele momento de paz e tranqüilidade, onde eu estava cercado de paredes brancas com Simone Strauss sentada no chão na minha frente, eu sorri para ela e disse:
- Simone... Eu sou o tutor de Jansen... Vim te visitar para te falar sobre... – tirei uma das cartas do meu bolso e mostrei para ela, ao mesmo tempo que falava – HEAVENS...
Ao ver o nome e o logotipo, ela começou a gritar, como se eu tivesse mostrado para ela a imagem do demônio, seus gritos eram tão altos, que os enfermeiros entraram violentamente pela porta e me agarraram com o intuito de me tirar da sala, eu fiz um esfoço muito grande para me desvencilhar dos homens, mas eles eram muito fortes, no entanto, quando eles estavam quase conseguindo me tirar da cela, uma voz doce e delicada quebrou o momento, dizendo:
- Deixem o homem em paz... Ele quer conversar comigo, e eu tenho algo para lhe dizer.
Os homens que me carregavam não acreditaram quando se depararam com Simone em pé, dizendo isso . Me desvencilhei dos enfermeiros, e eles se retiraram do quarto, fechando as portas com ar de admiração.
Simone pediu que eu me sentasse na banquetinha e ela se sentou na cama. Então, ela abriu a boca e soltou as primeiras palavras:
-Você tem que saber de algumas coisas... Não quero que pense mal sobre mim, ou que estou nessa condição por mero acaso. Respostas serão dadas..


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